Se fores como eu, já te viste no meio do corredor do supermercado a olhar para uma embalagem linda, com fotos de fruta fresca e promessas de “100% natural”, mas com um pressentimento de que aquilo é bom demais para ser verdade. E a verdade é…. por muito que o marketing tente esconder, está lá toda escrita, em letras pequeninas, na parte de trás da embalagem! :D
Na União Europeia, as regras são apertadas e os fabricantes são obrigados a dizer a verdade, mas isso não os impede de tentar “embelezar” as coisas. Por isso nada como eu partilhar algumas coisas que aprendi a ver milhares de rótulos (portugueses e estrangeiros) e aprender a cortar o ruído e a ler o que interessa mesmo.
1. O Nome: Marketing vs. Denominação Legal
A primeira coisa que vês é o nome comercial, tipo “Néctar de Laranja da Avózinha”. Mas o que deves procurar é a denominação de venda (normalmente está perto da lista de ingredientes). Vai dizer algo como “Sumo de Laranja Espremido” logo tem de ser sumo. Ou “Bebida de Laranja” ou “Refrigerante de Sumo”, compreendes o que eu digo o que está á frente é o marketing e não a denominação do produto!
Isso também é comum com bolachas, onde a frente diz bolacha de natal! E em cima dos ingredientes onde diz algo do género… “bolacha de aveia com especiarias recheada de chocolate” :P
2. A Lista de Ingredientes
Aqui não há como enganar, nem precisas de conhecer todos os ingredientes, estes aparecem sempre por ordem decrescente de peso. Logo se o primeiro ingrediente for açúcar, estás a comprar um doce, não uma mistura de cereais saudáveis para o pequeno-almoço.
Ou se um produto diz ser “Azeite”, mas o ingrediente azeite aparece em quinto lugar na lista de ingredientes, então sabes que existe algo de errado e que a percentagem de azeite é mínima.
Outro truque fixe é para coisas como o ingrediente açúcar olhar para a ficha nutricional, porque esta está sempre doseada para 100ml/100gr, se açúcar fôr 30gr sabes que mais ou menos 30% do produto é açúcar!!!!
Outra boa dica, se a lista parecer um testamento ou tiver nomes que nem consegues pronunciar, então é quase de certeza um alimento ultraprocessado. Tenta escolher produtos com listas curtas e ingredientes que tenhas na tua cozinha. Pão só deve ter 3 ou 4 ingredientes se têm 20 então já não é bem pão…
3. Alergénios
Por lei, qualquer ingrediente que cause alergias ou intolerâncias (glúten, leite, frutos de casca rija, soja, etc.) tem de estar destacado na lista de ingredientes. Normalmente aparece a negrito, em itálico ou com uma cor diferente. Se tens restrições, é aqui que os teus olhos devem ir primeiro.
Também se a mesma fábrica produz outros produtos que podem ter alergénios esses também vão aparecer como um aviso que o produto foi produzido num ambiente com nozes, frutos, óleos, etc.
4. Peso Líquido vs. Peso Escorrido
Cuidado com as caixas gigantes que vêm meio vazias! Olha sempre para o peso líquido. E se estiveres a comprar conservas ou frascos com líquido (como grão ou atum), o que conta é o peso líquido escorrido. É isso que vais realmente comer, o resto é apenas água ou salmoura que vais deitar fora.
Isso também é útil para comparar hoje em dia com o shrinkflation vez coisas como que saem do habitual cada vez com mais frequência, tipo latas de atum tendem a ser peso líquido 120gr e escorrido 85gr, mas agora vez latas quase identicas com peso liquido 110gr e escorrido 77gr ou peso liquido 120gr e escorrido 78gr e claro uma pessoa está a ver os preços e fica confuso em qual é o melhor ou mais barato!
5. A Tabela Nutricional
Algo como o Nutri-Score pode dar uma ajuda rápida, mas é muito simplista e, às vezes, enganador (há batatas fritas com melhor nota que azeite, só porque o algoritmo penaliza a gordura mas ignora o processamento).
Foca-te sempre na tabela por 100g ou 100ml, claro que é bom ter fibra e mais proteína, mas no geral deves ter atenção a:
- Açúcares: Tenta que seja o mais baixo possível.
- Gorduras Saturadas: É a gordura “má”, evita valores altos.
- Sal: Muita gente esquece-se disto, mas o sal em excesso é um perigo silencioso.
6. Datas de Validade
Há dois tipos de datas e convém saber a diferença para não desperdiçar comida:
- “Consumir até”: É uma data de segurança (carnes frescas, peixe, iogurtes). Passou o prazo? É lixo. Podes ficar doente, se estás em dúvida ou achas que vai passar o prazo antes de comer o melhor é congelar.
- “Consumir de preferência antes de”: É uma data de qualidade. O produto não se estraga mal passa a meia-noite, pode apenas perder um pouco de textura ou sabor. Se guardaste bem, ainda está bom. Usa o teu olfato e visão antes de deitar fora.
7. Origem e Utilização
Muitos rótulos dizem-te onde o produto foi pescado ou produzido. Se puderes escolher, opta pelo que é nacional ou local, é melhor para o ambiente, e geralmente, mais fresco. Além disso, se o produto for estranho de usar, o fabricante costuma incluir instruções de preparação ou até receitas. Vale a pena ler, às vezes dão ideias interessantes hehehe :D
E já está, claro se tiverem mais dicas para acrescentar digam nos comentários, claro que este artigo não é extenso, mas acho que são as dicas mais relevantes e os pontos que deves ter mais atenção num rótulo alimentar, até a próxima!


