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Os Tipos de Mel mais Populares em Portugal do Rosmaninho à Laranjeira

O mel é um daqueles alimentos fantásticos, têm mil e uma utilidades de conservante a adoçante e Portugal até que tem um clima e uma biodiversidade perfeita para a produção de mel, as abelhinhas nem sabem o que escolher ;D Desde o Algarve até ás Serras no Interior, existe um enorme variedade de tipos de mel para escolher, todos com os seus aromas, cores e caracteristicas!

Claro que quando vamos ao supermercado ou a uma feira, e deparamo-nos com uma grande variedade de méis e torna-se um pouco difícil fazer as escolhas, especialmente quando não podes provar, não só isso como alguns tipos de mel são difíceis de pôr o dedo, dizer que é um mel de laranjeira ou rosmaninho tu podes desconfiar de qual seja o aroma do mel, mas eucalipto ou urze? Heheheh torna-se mais complicado.

Logo, nada como explorar alguns dos tipos de mel mais populares e comuns em Portugal, assim da próxima vez que fores comprar mel já podes explorar um pouco mais e talvez descobrir o teu novo mel favorito! Vamos a isto! ;D

Já agora, antes de começar quero deixar uma nota importante, mel não é um produto que seja fácil de criar um padrão fixo é um pouco como vinho ou azeite, tu não podes controlar a 100% onde as abelhas vão, da mesma forma como não podes controlar a 100% como as tuas uvas vão crescer e amadurecer, logo eu vou generalizar um pouco nas minhas descrições, por exemplo eu já comprei um mel de eucalipto (que normalmente é escuro e amargo) que era muito claro e quase não tinha nada de amargo e isso é perfeitamente normal, depende do local e do produtos, logo se encontrares um mel que gostas, normalmente o mais seguro é comprar sempre do mesmo produtor porque se fores variando de produtores vais ter pequenas variações, é ao teu gosto.

Tipos de Mel Mais Populares em Portugal

Mel de Laranjeira – Este é provavelmente um dos méis mais apreciados em Portugal e com toda a razão! Produzido principalmente no Algarve e na região do Ribatejo, este mel destaca-se pelo seu aroma fresco e delicado a flor de laranjeira, com um sabor doce e suave, muito equilibrado, e com umas claras notas cítricas.

Tem uma cor âmbar clara, quase dourada, e uma textura leve e fluida. É perfeito para adoçar chás especialmente chás mais delicados, para usar em sobremesas ou simplesmente para comer numa torrada ao pequeno-almoço. Se gostas de méis mais suaves e aromáticos, este é definitivamente para ti! Eu diria simplesmente que é muito similar a um tipico mel mil flores mas com um toque citrino.

Mel de Eucalipto – Este é um dos meus meis favoritos hehehehe, este é um mel que eu chamaria de forte ou encorpado. Tem um sabor intenso e bastante característico, que se calhar eu diria medicinal? Basicamente tem um sabor bastante doce, ligeiramente amargo e com um travo muito peculiar que é difícil de pôr o dedo, basicamente é um mel forte! :D

É produzido a partir das flores do eucalipto, uma árvore muito comum nas regiões costeiras de Portugal, especialmente no Centro e Norte do país. A cor tende a ser âmbar escura e a textura é bastante densa. O mel de eucalipto é muito conhecido por ser usado para as constipações e dores de garganta e tal, porque tem um sabor forte que persiste, mas eu gosto para tudo, excepto para preparações/receitas que peçam um mel mais genérico como o mil flores, a não ser que peçam especificamente mel de eucalipto porque como disse têm um aroma bastante forte.

Mel de Rosmaninho – Este é dos tesouros do interior de Portugal! O rosmaninho é uma planta aromática que cresce nas regiões mais secas do país, e o mel produzido a partir das suas flores é absolutamente delicioso. Tem uma cor âmbar clara a média, um aroma floral muito característico (que te lembra a própria planta) e um sabor suave mas distintivo, menos doce que o mel de laranjeira.

É ideal para quem não gosta de méis demasiado doces e prefere algo mais equilibrado e aromático. Vai muito bem com queijos (experimenta com queijo de cabra!), em marinadas para carnes ou simplesmente numa fatia de pão.

Mel de Castanheiro – Este é outro mel com um sabor forte! Tem uma cor bem escura, quase castanha (daí o nome, faz sentido não?), e um sabor intenso, robusto, com notas amadeiradas e um ligeiro travo amargo que o torna bastante único e quase diria… rústico?.

É produzido nas regiões montanhosas, especialmente na Serra da Estrela e Trás-os-Montes. Por ter um sabor tão marcante, não é para todos os gostos, mas quem gosta, adora! É fantástico como acompanhamento de queijos curados, carnes assadas ou até em pratos salgados mais elaborados. Este e o de eucalipto são dos meus meis favoritos para comer basicamente sozinhos :D

Mel de Urze – A urze é uma planta típica das serras e montanhas portuguesas, e o mel produzido a partir das suas flores é bem especial. Tem uma consistência mais densa e gelificada (quase como uma geleia), uma cor escura e um sabor que varia de doce a ligeiramente amargo, com também um aroma muito característico.

É um mel muito tradicional e regional, típico de várias receitas clássicas portuguesas em especial de sobremesas. Por ter uma textura tão peculiar, às vezes é necessário aquecê-lo ligeiramente para se tornar mais fluido e fácil de usar.

Mel de Alecrim – O alecrim é outra planta aromática muito comum em Portugal, especialmente nas zonas mediterrânicas, e o mel que vêm daí é absolutamente delicioso! Tem uma cor clara, quase transparente quando fresco, e um sabor suave mas muito aromático, com notas herbáceas características do alecrim.

É outro mel que cristaliza facilmente (fica mais sólido e granulado), mas isso é completamente natural e não afeta em nada a qualidade. É ótimo para usar em infusões, sobremesas ou mesmo em marinadas para carnes.

Mel de Medronheiro – Este é dos méis mais exclusivos e apreciados em Portugal! O medronheiro é uma árvore típica do Sul do país, especialmente na Serra de Monchique, e floresce no final do outono. O mel de medronheiro tem uma cor âmbar escura, um sabor bem amargo característico e um aroma intenso.

É um mel que não agrada a toda a gente por causa desse travo pronunciado amargo é mais amargo que os meis de eucalipto ou sobreiro, mas os apreciadores consideram-no uma verdadeira iguaria. Como é menos comum tende a ser só encontrado em feiras ou através de produtores mais artesanais.

Mel Multifloral (ou Mel de Mil Flores) – Como o nome indica, este mel é produzido a partir do néctar de várias espécies de flores diferentes. A composição varia conforme a região e a época do ano, o que torna cada lote único.

Pode ter uma cor que varia de âmbar clara a escura, e o sabor é geralmente equilibrado e complexo, refletindo a diversidade das flores. É um mel muito versátil que podes usar em praticamente tudo! Este é o mel mais comum, eu diria que as versões mais baratas combinam até mel de vários países, mas se queres variedades mais interessantes experimenta de um produtor mais local ou de uma marca mais tradicional.

Mel de Girassol – Menos comum mas também produzido em Portugal, especialmente no Alentejo onde há campos de girassol. Tem uma cor amarela/dourada muito característica, também é outra variedade que cristaliza rapidamente e tem um sabor suave e ligeiramente frutado. É um mel bastante popular em outros países europeus.

Portugal é Um País Rico em Mel

Portugal tem uma diversidade enorme de plantas melíferas (plantas que produzem néctar e/ou pólen em quantidade e qualidade suficientes para atrair insetos polinizadores), o que permite uma grande variedade de diferentes meis de Norte a Sul do país.

Atualmente, Portugal conta com nove Denominações de Origem Protegida (DOP) para mel, o que é um reconhecimento oficial da qualidade e singularidade dos méis produzidos em cada região:

  • Mel do Parque de Montesinho DOP
  • Mel da Serra da Lousã DOP
  • Mel de Barroso DOP
  • Mel dos Açores DOP
  • Mel da Terra Quente DOP
  • Mel das Terras Altas do Minho DOP
  • Mel do Ribatejo Norte DOP
  • Mel do Alentejo DOP
  • Mel da Serra de Monchique DOP

Estas denominações garantem que o mel foi produzido numa região específica, seguindo métodos tradicionais e com características bem definidas. É como o vinho do Porto ou o queijo Serra da Estrela, produtos com identidade própria!

Como Escolher e Usar o Mel

A verdade é que não existe um mel “melhor” que outro, tudo depende do teu gosto pessoal e do uso que lhe queres dar. Se gostas de sabores mais suaves e delicados, opta pelos méis de laranjeira, alecrim ou rosmaninho. Se preferes sabores mais intensos e marcantes, experimenta o mel de castanheiro, eucalipto ou medronheiro.

Para adoçar chás e infusões sem alterar muito o sabor, os méis mais claros e suaves (laranjeira, alecrim) são ideais. Para acompanhar queijos e carnes, os méis mais escuros e intensos (castanheiro, rosmaninho) funcionam na perfeição. E para uso geral na cozinha em especial se vais cozinhar, um bom mel multifloral é sempre uma aposta segura!

Para mim mel é um pouco como o azeite, se vou comprar um azeite para uma ocasião especial, então vou escolher algo interessante e fora do normal e normalmente mais caro, um azeite extra virgem especial, algo que é para ser servido crú ou num prato xpto, mas se fôr só para fritar eu escolho um azeite mais barato como azeite refinado ou azeite virgem ou se apenas preciso de azeite para ter em casa, para um pouco de tudo eu escolho um azeite extra virgem barato.

Dicas e Truques para Apreciar Mel

  • O Mel Cristalizado é um Bom Mel – Muita gente acha que quando o mel fica sólido e granulado é porque está estragado ou é de má qualidade, mas é exatamente o contrário! A cristalização é um processo natural que acontece com mel puro e autêntico. Se queres voltar a deixá-lo líquido, basta colocares o frasco em banho-maria (água morna, nunca fervente) durante uns minutos.
  • Atenção às Temperaturas – O mel não deve ser aquecido a temperaturas muito altas (acima de 40ºC) porque perde muitas das suas propriedades nutricionais e enzimas benéficas. Por isso, se queres adicionar mel ao teu chá, espera que a água arrefeça um pouco antes de o adicionar. Se queres adicionar a bolos ou bolachas sabes que o fazes só pelo aroma e doçura e não pelas propriedades nutricionais.
  • Conservação Adequada – O mel deve ser guardado num local fresco, seco e ao abrigo da luz direta. Num frasco bem fechado, o mel pode durar anos (sim, anos!) sem se estragar. Aliás, já foram encontrados frascos de mel com milhares de anos em escavações arqueológicas que ainda estavam perfeitamente comestíveis!
  • O Mel Local é Melhor – Sempre que possível, compra mel produzido localmente. Não só estás a apoiar os apicultores da tua região, como também obténs um produto mais fresco e com características únicas da flora local. Além disso, há estudos que sugerem que consumir mel local pode ajudar com alergias sazonais (embora ainda sejam necessárias mais pesquisas sobre este tema).
  • Lê Bem os Rótulos – Infelizmente, há muito mel adulterado no mercado. Procura méis com certificação portuguesa, DOP quando possível, e desconfia de preços demasiado baixos. Mel de qualidade tem o seu custo porque é um produto natural que exige muito trabalho das abelhas e dos apicultores!
  • Na Cozinha e Além – O mel é incrivelmente versátil! Podes usá-lo em sobremesas (bolos, bolachas, mousses), em pratos salgados (marinadas, molhos, temperos para carnes), em bebidas (chás, batidos, cocktails), ou simplesmente comê-lo puro numa torrada. Experimenta também misturar mel com manteiga para fazeres uma manteiga de mel deliciosa hehehe ;D

E já está! Espero que agora tenhas uma ideia muito melhor sobre os diferentes tipos de mel que podes encontrar em Portugal. Da próxima vez que fores comprar mel, já sabes o que procurar e podes fazer uma escolha informada de acordo com o teu gosto e necessidades.

E tu, qual é o teu mel favorito? Quais são as tuas receitas favoritas com mel? Conta-nos nos comentários! ;D

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