Existe um momento interessante quando vamos comprar um vinho, tens centenas de garrafas, etiquetas bonitas, preços para todos os gostos, nomes interessantes de regiões famosas, tudo muito bonito até ao momento em que tens de escolher o que queres comprar!
Ui, o que escolher? Com uma cerveja é diferente, vês a marca, sabes mais ou menos o que vai sair. Com algo mais pesado, um whisky ou um gin acontece o mesmo. Mas com o vinho existe quase uma hesitação universal, e eu estou aqui para te dizer que essa hesitação é completamente normal e que, aliás, faz todo o sentido que exista.
O vinho é provavelmente a bebida alcoólica mais complexa e variável que existe. Não é um produto fixo. Cada garrafa é, de certa forma, única, mesmo que seja da mesma marca, da mesma adega e do mesmo ano. Factores como o transporte, o armazenamento, a temperatura a que esteve guardada e até o momento em que a abres podem influenciar o resultado final. Logo, a questão não é tanto “como escolho o vinho certo” mas antes “como faço uma escolha informada num universo onde a informação nunca é completa”, e é exactamente isso que vamos ver aqui.
O Vinho é um Produto Único
Antes de qualquer dica ou lista, quero que tenhas uma coisa bem presente, como disse em cima cada garrafa de vinho é diferente. Não estou a exagerar. Mesmo dentro do mesmo barril existem diferenças. As uvas que foram apanhadas num dia mais quente ou mais fresco, o tempo que passou entre a vindima e o engarrafamento, a cortiça que sela melhor ou pior a garrafa, tudo isso conta. É por isso que beber vinho é sempre, em alguma medida, uma surpresa.
Mas isso não quer dizer que seja impossível fazer boas escolhas. Quer apenas dizer que a escolha de um bom vinho é uma combinação de conhecimento, experiência e um pouco de sorte. Quanto mais provares, quanto mais souberes sobre regiões, castas e tipos, mais perto vais estar de escolher um vinho que gostas. E quando digo gostas, não estou a falar do que os especialistas dizem que deves gostar. Estou a falar do que tu, com o teu paladar, com os teus gostos, com o que te está a apetecer na altura, vais apreciar no copo.
A primeira coisa que quero que notes é se o vinho é de marca (ou vinho de mesa ou vinho de mistura quer tudo dizer o mesmo), estes são produzidos todos os anos com o objectivo de criar um perfil de sabor consistente, notas que estes vinhos não têm um ano e tendem a saber sempre ao mesmo. Isso é porque um enólogo vai ajustando as castas e a produção para que o resultado final seja sempre próximo do que se quer. Nunca é exactamente igual, mas é semelhante o suficiente para que, se souberes que gostas daquele vinho, possas comprar a mesma garrafa passado 1 ano e sabes com uma razoável confiança que vai saber mais ou menos ao mesmo.
E eu não estou a dizer isto para não comprares vinhos de marca, vinhos de marca têm o seu lugar, estou a dizer que um vinho de marca é como coca-cola ou uma cerveja sagres, sabes com mais confiança o que está na garrafa e se gostas? Então excelente, não só isso como se tiveres provado uns vinhos de marca, podes facilmente escolher um vinho dentro destes para a uma ocasião ideal, eu já devo ter provado quase todo o universo de vinhos verdes de marca, logo eu sei que vinhos é que gosto e não gosto e sei o que quero para cada momento, esse é um valor de um vinho de marca.
Em contrapartida os restantes vinhos, os chamados de vinhos de colheita, são obviamente mais complexos, não só nos aromas mas na variedade, muito porque para se criar um vinho de marca têm que se fazer alguns compromissos e um deles é a complexidade do vinho, porque tu queres um vinho que agrade o maior número de pessoas e logo tens de aguar o produto e criar um perfil distinto, ganhas em identidade mas perdes um pouco no carácter, daí que muito do que vou falar é mais sobre vinhos de colheita, mas vinhos de marca têm lugar na minha mesa e também devem ter lugar na tua.
Os Tipos de Vinho
- Vinho Tinto, é feito com uvas pretas ou vermelhas fermentadas com a casca, o que lhe dá a cor avermelhada intensa e um aroma mais encorpado. É o tipo mais versátil para acompanhar refeições com carnes, grelhados, pratos de massa com molhos ricos ou queijos curados.
- Vinho Branco, é feito com uvas de qualquer cor, mas sem a casca, ou só com casca branca, o que resulta numa cor pálida, entre o amarelo e o dourado, e num aroma mais suave, com menos taninos e mais leveza. Combina muito bem com peixe, marisco, pratos de aves e saladas mais leves.
- Vinho Rosé, fica a meio caminho entre o tinto e o branco. É produzido com uvas pretas mas com muito menos tempo em contacto com a casca, o que cria aquela cor rosada característica. É um vinho fresco, aromático, muitas vezes com um toque quase efervescente, e é bastante versátil para ocasiões informais.
- Vinho Verde, é um tipo muito particular, especialmente associado ao noroeste da Península Ibérica. É um vinho jovem, ligeiramente gaseificado, frutado e de baixo teor alcoólico. Existe em branco, tinto e rosé, mas o mais comum é o branco. É excelente para ocasiões de Verão ou como acompanhamento de refeições leves, este vinho é o que eu chamaria de uma sub-variação, visto que só é produzido na Península Ibérica.
- Vinho Espumante, o mais famoso dos quais é o Champagne, mas que inclui também o Cava espanhol, o Prosecco italiano ou os espumantes Portugueses, é um vinho com elevado nível de dióxido de carbono. Dentro dos espumantes existe ainda uma subdivisão importante que tem a ver com a doçura, que vai desde o Natural até ao Moscatel, passando pelo Bruto e pelo Seco. Saber que grau de doçura preferes faz uma diferença enorme na escolha.
- Vinho Fortificado, é um vinho ao qual foi adicionado álcool extra durante a fermentação, o que eleva o teor alcoólico e confere uma durabilidade muito maior. O Vinho do Porto, o Vinho da Madeira e o Moscatel de Setúbal são os exemplos mais clássicos em Portugal. Existem versões muito diferentes dentro desta categoria, desde os mais secos aos mais doces, e são habitualmente servidos como aperitivo ou a acompanhar sobremesas.
Conhecer as Regiões dos Vinhos
Uma das coisas que mais muda a qualidade das escolhas que fazes é perceberes um pouco sobre as regiões vinícolas. Não só do teu país, mas do mundo em geral, mesmo que de uma forma básica.
As regiões importam porque o clima, o solo e as tradições locais moldam profundamente o carácter do vinho. Um vinho do sul de Espanha, produzido com sol intenso, vai ser um produto radicalmente diferente de um vinho da Borgonha, numa região mais fresca e com uma tradição vitícola diferente. Isso não quer dizer que um seja melhor que o outro, quer dizer que são experiências diferentes e que, se souberes o que estás à procura, a região pode ser um guia muito útil, porque vinhos feitos na mesma região tendem a partilhar muitas das suas particularidades.
A ideia é seres curioso. Se comprares um vinho de uma região que não conheces, guarda a etiqueta ou tira uma foto. Se gostares, já sabes por onde começar a explorar. Se não gostares, também é informação útil a evitar. Aos poucos vais construindo um mapa pessoal de que regiões gostas mais, onde certas regiões passam a ser sinónimo de coisas que gostas, sem teres de decorar listas exaustivas.
Isso também te ajuda a fazer previsões sem provar o vinho, por exemplo olhas para uma vinho branco do Alentejo, o Alentejo não é conhecido pelo vinho branco é conhecido por vinhos tintos fortes com um bom corpo e alcoólicos (uvas que apanham muito calor, têm muito açúcar), logo um branco é algo diferente se por exemplo este têm bastante côr isso pode dizer que foi maturado em barrica (o que dá ainda mais aroma e mais corpo) e visto que os vinhos do Alentejo são vinhos naturalmente com corpo, podes sem beber chegar á conclusão que este vinho branco é bem capaz de ser um vinho branco com bastante corpo com bastante sabor e textura, perfeito para uma refeição, mas não tão agradável para um aperitivo ;D
Ah outra coisa interessante é que as regiões também têm muitas vezes em Portugal um selo de qualidade governamental chamado DOC, Denominação de Origem Controlada, que garante que o vinho foi produzido naquela região específica, com regras definidas para a produção, existem este género de selos governamentais para vários paises. Não é uma garantia de qualidade absoluta, porque a qualidade varia muito, mesmo dentro da mesma região, mas é uma garantia de proveniência, o que já ajuda outra vez a ter uma ideia do perfil esperado.
As Castas e as Uvas
Depois de saberes o tipo de vinho que queres, o próximo nível é conhecer algumas castas. Uma casta é simplesmente a variedade de uva usada na produção. E a casta importa porque cada variedade tem características únicas que influenciam directamente o sabor, o aroma e a textura do vinho.
A lógica é simples, se provares um vinho e gostares muito, e descobrires que tem uma casta específica em maior percentagem, fica com esse nome. Da próxima vez que vires essa casta numa garrafa diferente, já tens uma pista de que pode ser algo ao teu gosto.
Por exemplo, a casta Pinot Noir é conhecida por criar vinhos tintos muito leves, suaves e frutados, com taninos quase imperceptíveis. Se gostas de vinhos mais fáceis de beber, mais fluidos e sem aquela adstringência típica de alguns tintos encorpados, o Pinot Noir é um bom ponto de partida. Da mesma forma se vires a casta Sirah essa é muito conhecida pelo seu perfil aromático floral e frutado, logo um vinho com essa casta é bem capaz de ter algumas dessas propriedades. Por outro lado, algo como o famoso Cabernet Sauvignon tende a criar vinhos mais robustos, com taninos pronunciados e muito corpo. São coisas completamente diferentes, e saber isso antes de comprares poupa muita da tentativa e erro.
Algumas castas que vale a pena conhecer para tintos: Touriga Nacional, Baga, Castelão, Trincadeira e Syrah são exemplos com personalidades bem distintas. Para brancos: Alvarinho, Arinto, Encruzado, Sauvignon Blanc e Chardonnay são bons pontos de referência. Nos brancos, aliás, é muito mais comum encontrar vinhos feitos com a combinação de várias castas, precisamente porque sem a casca os aromas tendem a ser mais neutros e a mistura de variedades ajuda a criar perfis mais complexos e interessantes. Eu não vou dar a minha opinião sobre cada casta (podem perguntar nos comentários hehehe), apenas experimentem e depois criem as vossas preferências!
O Marketing no Universo Vinícola
Vou ser directo neste ponto porque acho que é importante! Uma boa parte do que é promovido e está nas etiquetas dos vinhos é marketing puro, e perceber isso poupa-te dinheiro e expectativas goradas.
Podem ver das minhas impressões quando falo de vinhos e das suas legendas, eu prefiro uma simples e honesta, até gosto quando criam poesia sobre a maresia banhar as uvas com o néctar dos deuses, mas quando dizem que o vinho sabe a uma coisa e ele sabe a outra, leve e tal e é pesado como uma porta, fazem recomendações estranhas tipo deve ser comido com sushi, um vinho português que tem a legenda toda em inglês, epá, por favor.
Medalhas de ouro, prémios de festivais, distinções de revistas especializadas. Já viste essas etiquetas coladas às garrafas? O que é que isso quer dizer, concretamente? Quase nada. Esses prémios são atribuídos em ocasiões específicas, por júris específicos, com uma selecção específica de vinhos que muitas vezes pagaram para participar. Não são comparações exaustivas de todos os vinhos de uma região ou de um país. São uma gota num oceano, e tratá-los como garantia de qualidade é um erro. Um vinho sem nenhum prémio pode ser absolutamente extraordinário. Um vinho fraco com vinte medalhas porque a selecção era também má pode ser desastroso.
Depois temos as denominações que aparecem nas etiquetas e que muitas vezes dizem ainda menos. Reserva, Grande Reserva, Premium, Selecionado, Escolha do Público, essas categorias têm definições vagas e variam de país para país e até de produtor para produtor. Em Portugal, por exemplo, um vinho só precisa de ter 0,5% acima do grau alcoólico mínimo da região para poder chamar-se Reserva. Isso diz-te alguma coisa sobre o sabor? Não diz absolutamente nada sobre a qualidade.
Algumas denominações ainda têm algum valor prático. Falei em cima sobre o DOC em Portugal, que garante a proveniência, o que é algo que têm valor. A indicação de casta única também diz-te exactamente que uva foi usada, o que é útil quando já conheces as tuas castas favoritas. A indicação de Garrafeira, em Portugal, significa que o vinho passou por um processo de envelhecimento em barril e garrafa, o que pode ser relevante se aprecias vinhos com mais corpo e maturidade. Mas é uma lista curta do que as legendas te dão em relação á realidade, acho que tiras muito mais da tua experiência e de saberes um pouco sobre vinhos, regiões, sobre castas e variedades do que qualquer fantasia que está escrita na legenda.
E sobre o preço, obviamente nem sempre o que é caro é bom. Há óptimos vinhos baratos e há vinhos caros que são uma decepção. O preço reflecte os custos de produção, o marketing, a embalagem e a reputação da marca, não necessariamente a qualidade do que está dentro da garrafa. Aliás depois de engarrafado todos querem é vender, não estou a ver nenhum produtor deitar o vinho fora porque não está exatamente como queria…
Para Que Queres o Vinho?
Uma coisa que muita gente não considera antes de comprar é o uso que vai dar ao vinho. E isso muda bastante o que deves procurar.
Se o vinho vai ser servido como aperitivo, antes de uma refeição, queres algo leve, fresco e não demasiado intenso para não saturar o paladar antes de comer. Um vinho verde branco, um espumante bruto ou um rosé leve são escolhas naturais para este momento.
Se é para acompanhar uma refeição, as combinações clássicas ajudam bastante como ponto de partida. Vinhos tintos encorpados com carnes vermelhas e pratos com molhos ricos. Vinhos brancos leves com peixe, marisco e pratos de aves. Rosés e vinhos verdes para refeições mais informais e leves. Espumantes com mariscos e entradas. Vinhos fortificados com sobremesas de chocolate ou com queijos curados como aperitivo.
Se é para cozinhar, o princípio geral é que um vinho que não bebes também não devia entrar na panela. Um vinho razoável vai dar ao prato um resultado razoável. Se usas um vinho de qualidade inferior, isso vai reflectir-se no prato, especialmente em molhos que reduzem bastante e concentram o sabor. Claro que não precisas de cozinhar com o teu melhor vinho, mas um vinho de cozinha de pacote é, na generalidade, uma má ideia. Da mesma forma que usar um vinho delicioso mas bem encorpado com muitos taninos também pode não ser o ideal para cozinhar, tudo em moderação.
Se o vinho vai entrar num cocktail, a escolha é diferente outra vez. Sangrias, kir, spritz, qualquer cocktail com base em vinho vai combinar outros sabores intensos, logo um vinho bem alcoólico mas mais neutro até funciona bem. Não há razão para gastar num vinho complexo que vai ser mascarado por sumos e licores.
E se vais guardar, seja para uma ocasião especial ou porque compraste em quantidade, tens de pensar no armazenamento. Vinhos que vão ser bebidos em breve ficam bem numa zona fresca e escura. Vinhos para guardar mais tempo precisam de temperaturas estáveis, idealmente entre 12 e 15 graus, deitados para manter a rolha húmida se for de cortiça.
Eu por exemplo por ter o Iguaria, acabo por comprar vinho que eu goste de beber, mas também que dê para cozinhar, logo se comprar um vinho tinto ou branco, eu tento que seja saboroso e leve para poder dar esse duplo uso se fôr necessário, mas por exemplo se comprar um vinho verde ou rosé, eu vou beber quase sempre todo e não vou cozinhar, não que usar eles vai sair alguma coisa má, apenas que como são vinhos mais leves eles não vão dar grande aroma ao cozinhar.
Como Abrir o Vinho
E já está, agora vou falar de só uns pontos que eu acho interessantes, como quando abres o vinho?
Para vinhos tintos com algum corpo e estrutura, abrir a garrafa 30 minutos a uma hora antes de servir, o chamado deixar o vinho respirar, pode mudar bastante o resultado. O contacto com o ar suaviza os taninos e permite que os aromas se desenvolvam. Para vinhos muito encorpados, podes até usar um decanter para acelerar esse processo, também a razão porque algumas pessoas dizem que beber a garrafa no dia seguinte sabe ainda melhor ;D De notar que se o vinho é velho (mais de 20 anos) não deves decantar, porque arriscas ao vinho oxidar e ficar horrível, decantar é para vinhos relativamente jovens.
Para vinhos brancos e espumantes, o frio é o teu melhor amigo. Um vinho branco bebido à temperatura ambiente perde muita da sua frescura e leveza. Uma hora no frigorífico ou 20 minutos num balde com gelo e água faz uma diferença enorme, mas depois de aberto não é preciso deixar o vinho a respirar muito tempo.
Para uma ocasião especial ou uma festa com vários convidados com gostos diferentes, a melhor estratégia é a variedade. Comprar uma selecção pequena, um tinto, um branco, talvez um espumante para o início, garante que há algo para todos os gostos sem teres de adivinhar o gosto de cada pessoa. E é sempre uma boa desculpa para experimentar vinhos novos.
Como Provar o Vinho
A prova de vinho tem uma grande aura de seriedade que muitas vezes intimida as pessoas. Vês alguém a fazer aquele ritual todo, rodar o copo, cheirar, fazer um barulho estranho com a língua, e parece que é preciso um curso de sommelier para perceber alguma coisa. Claramente não é.
Claro que há técnicas que ajudam a perceber melhor o que estás a beber.
Olhar para a cor, que te dá pistas sobre o envelhecimento e as castas. Cheirar antes de provar, porque grande parte do que percepcionamos como sabor é na realidade aroma. Deixar o vinho passar por toda a boca antes de engolir, para perceber a textura, os taninos, a acidez e o final de boca.
Mas a questão mais importante é sempre: gostas ou não gostas? O resto é contexto que ajuda a perceber o porquê. Se não gostas de um vinho muito adstringente, já sabes que preferes vinhos com menos taninos. Se adoras um vinho com um final longo e frutado, já tens uma característica para procurar da próxima vez. Cada copo que provas é informação que podes usar. Tu estás a provar para ti! Não estás a julgar as qualidade das vindima e do enólogo, se é saboroso para ti é o mais importante!
E não precisas de gostar de tudo. O mundo do vinho é imenso e há estilos muito diferentes. Há pessoas que adoram vinhos quase acabados de fermentar com aquele perfil oxidado e irregular. Eu acho horrível, cada vez que vejo algum sitio a vender vinho ao granel estou sempre com medo de sair zurrapa, Não existe certo ou errado, existe o que funciona para ti.
Da mesma forma que já vi pessoal a gozar porque escolheste este ou aquele vinho, rosé é para mulheres, mas que raio, se tu gostas de sumo de laranja agora és uma criança? Não ligues para isso, se um copo de vinho rosé, leve e frutado com bastantes bolhinhas é o que te dá prazer, então mais poder para ti!
A Altura do Ano Também Conta
Isto pode parecer um detalhe menor mas eu acho relevante. Há vinhos que pedem certas estações do ano, e não é só por causa das temperaturas.
No Verão, especialmente com calor, os vinhos frescos e leves, brancos, rosés, vinhos verdes e espumantes, são muito mais apetecíveis. São vinhos que ficam bem servidos frios, que acompanham refeições mais leves normais da época e que combinam com o ambiente descontraído de um churrasco ou de uma esplanada.
No Outono e no Inverno, a tendência é para vinhos mais encorpados, tintos com mais estrutura, vinhos envelhecidos que “aqueçam” um pouco. É a altura ideal para explorar vinhos que precisam de algum tempo no copo, para experimentar um vinho do Porto com uns queijos ou para abrir uma garrafa que ficou guardada para uma ocasião especial.
Aliás é no São Martinho que existe a tradição específica de abrir o vinho novo, o que é uma forma muito bonita de celebrar a vindima e o início de uma nova produção. É uma data que faz todo o sentido para experimentar vinhos mais jovens e para comparar com os do ano anterior.
Combinações Clássicas de Vinho com Comida
Para não ficares sem referência, aqui fica uma tabela com as combinações mais comuns. Como já disse antes, estas são sugestões, não regras absolutas, mas são um bom ponto de partida quando tens dúvidas.
| Tipo de Vinho | Combina Bem Com |
|---|---|
| Vinho Tinto | Carnes vermelhas, grelhados, pratos de massa com molhos de carne, queijos curados, bacalhau em pratos mais encorpados, doces de frutos vermelhos |
| Vinho Branco | Peixe grelhado ou no forno, marisco, frango e aves, saladas leves, massas simples, doces delicados |
| Vinho Rosé | Pratos leves de carne, saladas, petiscos variados, tudo o que combina bem com branco e alguns pratos de tinto leve |
| Vinho Verde | Peixe, marisco, pratos leves, petiscos, saladas com molhos simples |
| Espumante | Entradas, petiscos, marisco, peixe leve, doces simples, celebrações em geral |
| Vinho do Porto / Fortificado | Chocolate, queijos curados, sobremesas de frutos secos, como aperitivo com foie gras ou patês |
E já está, espero que este artigo te ajude a sentir um pouco menos de hesitação da próxima vez que estiveres diante de uma prateleira cheia de garrafas. A verdade é que não existe uma escolha perfeita e universal, existe a melhor escolha para ti, naquele momento, para aquela ocasião, com o conhecimento que tens. E à medida que vais provando e aprendendo, essas escolhas vão ficando cada vez mais certas.
E estamos a falar de vinho, logo claro que tudo isto deve ser sempre consumido com bastante moderação, que a melhor garrafa é a que se aprecia com calma e companhia. Saúde! ;D


